Utilidade do Mau Gosto

 

Alguns me perguntam por que escolhi esse layout de péssimo gosto para meu blog. Para a surpresa de todos os que conhecem minha aversão pela cor vermelha, replico: porque era o único que tinha uma tarja vermelha – pausa para pensar com qual mão escrevo – no lado direito. Não gosto nem de vermelho, nem de tarja. Mas algo me dizia que a combinação “tarja + vermelho” seria útil.

 

Prevendo algo que me era ainda oculto, entreguei-me a cálculos matemáticos e análises psico-socioculturais para me certificar da utilidade desse elemento gráfico de caráter estético indiscutivelmente discutível. Com a ajuda de Descartes (dizem que ele deu lá sua contribuição para a geometria), Jung e uns palpites de Maslow, concluí que o tamanho mau gosto desta tarja só faria sentido se fosse diretamente proporcional à sua ignota utilidade.

 

Ao ler minha primeira postagem descobri que ela, como todas as outras, não interessa se quer a quem a escreveu – condolências ainda maiores aos meus amigos leitores – e que olhares sagazes e atentos podem facilmente se transformar no que chamo de “olhar perdido no desinteresse do assunto”, que ao invés de conduzir o leitor para a próxima linha, continua a se mover num movimento que a física chama de "Retilíneo Uniforme", como se a primeira linha continuasse indefinidamente e a segunda fosse um grande erro da natureza extinto pelo que a Biologia chama de "Seleção Natural" antes mesmo de vir à existência.

 

Quando isso ocorre entra em cena uma gritante tarja vermelha, de utilidade agora conhecida, que antes de acordar os vizinhos e depois de passar pelo nervo óptico, envia uma mensagem subliminar advinda do inconsciente, que só não é coletivo porque ninguém lê meu blog: “Idiota! Essa linha acabou, volte ao texto e passe para a seguinte.”

 

Bem, a próxima vez que escutar essa deseducada mensagem não retorne ao texto. Olhe fixa e atentamente para a tarja. E para acabar de vez com essa barreira psicológica grite bem alto: “Idiota é você!”. Depois disso você se sentirá mais à vontade (comigo deu certo) e conseguirá até mesmo passear pela tarja explorando seus componentes. Ao tropeçar no número que corresponde à sua visita – ou a você uma vez que as pessoas viraram números – anote-o num papel, guarde na cabeça, tatue na pele, coloque como frontal entre os olhos, mas NÃO O PERCA. E daí aguarde o próximo post.

 

Agora, com o número em mãos, peça desculpas à tarja e volte a respeita-la, porque eu preciso que leia todas as linhas do meu próximo post.

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