TIRANDO AS TEIAS

 

Quase tive um colapso psicoespaçotemporal quando entrei no meu blog. Descansei os olhos em agosto de 2007 (data da minha última postagem) e depois de uma cochiladinha de uns cinco minutos acordei em dezembro de 2008!

Passados o susto e a letargia temporal, inexplicavelmente me vi com as mãos na cintura em sinal de reprimenda - acho que aprendi com a minha mãe (e não só com a minha). Antes de me dar conta do que se tratava e depois do automático "não fui eu", fui proibida por mim mesma de terminar o ano de 2008 sem fazer um post. É claro que não obedeci... eu não sou minha mãe! (Prov. 1:8). Estou escrevendo este post porque eu quero e não porque eu quero que eu queira.

Eu ia escrever a parte três do "Peripécias Gastronômicas", mas, depois de as teias de aranha, baratas e outros bichos escrotos me terem feito o agrado - agradeço a todos - de cuidar do meu blog durante o meu pequeno cochilo, a ANVISA interditou-o para qualquer assunto que se relacione a alimentação. Então encontrei um texto bem antigo que de tão ruim na época não postei.

Jamais me atreveria a demonstrar tamanho desrespeito com meus amigos leitores por postá-lo neste momento. E não fosse a heróica intervenção da falta de tempo, que não só procurou de todas as formas me impedir de fazer um novo texto, como num feito homérico transformou o antigo numa verdadeira pérola da literatura sem mudar nem uma virgula, eu realmente não o postaria.

Fiz algumas alterações - que insidiosamente tomaram mais tempo do que a construção de três posts juntos, cortei algumas partes, mudei o enfoque e o que sobrou está em vermelho.

TEMPIEDADE

 

O tempo. Confesso que o assunto deste ido texto me agradou quando li. Simpatia menos pelo enfoque e mais pela pertinência. Então mudo o enfoque e mantenho a pertinência. Talvez reste coisa pouca. Sobrando uma costela está bom (a despretensão tapou meus olhos para o indevido ar de divindade atribuído a mim nesta última frase. Espero que a distração faça o mesmo com o leitor).

Somos verdadeiros filhos do tempo, mesmo quando órfãos dele. Pai desatento, eu diria. Alguns de seus filhos lutando para ter mais tempo, outros lutando para preencher o tempo que têm e ele lá... presente, mas alheio. Bom, não posso negar que ele nos é um excelente instrutor não importa se fazemos parte do primeiro ou do segundo grupo. Mas acho o preço da sua instrução um pouco alto.

Para nos ensinar ele toma, um por um, todos os prospectivos anos que recebemos da vida no dia em que nascemos. Jogados no nosso passado como um saco de pertences que um dia foram nossos, mas que por falta de pagamento foram tomados - e o pior é que pagamos! - os vemos numa vitrine na qual podemos até dar uma olhadinha, mas não se nos permite entrar nem mesmo tirar o pó, porque nada pode ser alterado ou tirado do lugar - nem o pó.

Como filhos desse pai impiedoso, nossa única alternativa é escolher bem os objetos que serão colocados no nosso saco de pertences. Quando eles virarem a nossa vitrine, mesmo que não possamos tocar em um único objeto que estamos vedo, ao menos teremos prazer em olhá-los.

CRÉDITOS

Autora: Dai Pablessa

Apoio: Shopping Cristal (que com seus preços exorbitantes tornam o desfecho do texto mais compreensível).

Patrocínio: Master Card. Sua vitrine você não pode mudar, para todas as outras existe Master Card.

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